quarta-feira, 25 de maio de 2022

At Death's Door (1999) — (uma quase) maratona Cillian Murphy

 

At Death's Door (1999)
Escrito e dirigido por Connor Morrissey

Como de praxe: isto não é uma resenha — nem pense em procurar por estrutura semelhante. É apenas um post provavelmente pequeno e direto em que expressarei minha opinião sobre o curta-metragem At Death's Door, apenas mais um de 2022 da minha "maratona Cillian Murphy".

Ando a ter problemas com o Torrent. Sempre foi fácil, mas agora me aparecem avisos relacionados a essas tais tecnologias envolvendo VPN e não sei das quantas, vou deixando para depois e desisto. Então, bem, dessa vez não foi Disco Pigs, mas um curta-metragem disponível no YouTube. Pela thumbnail e pelo nome, imaginei algo provavelmente tão silencioso e excêntrico como The Water, mas, vejamos, não foi exatamente assim.

Usando palavras-chave aleatórias capazes de  a meu ver — transmitir parcialmente os elementos que compõem a atmosfera como um todo, o que inclui o enredo, eu poderia mencionar: The Addams Family e Edgar Allan Poe.

A grande estreia de Cillian Murphy no cinema foi em Disco Pigs, cujo lançamento é datado de 2001; At Death’s Door, por sua vez, tem seu lançamento datado de 1999. Em outras vezes, foi um dos primeiros papéis de um jovem Cillian. Trata-se de um curta-metragem irlandês de aproximadamente 14 minutos, com uma leve aura um tanto goticômica.

Em At Death’s Door, Cillian interpreta um aprendiz de ceifador  afinal, ele é o filho da Morte. Seu pai (interpretado por Des Keogh) é um excelente trabalhador, e tão logo no início do curta-metragem somos introduzidos a mais um dia normal de trabalho em que o filho acompanha seu pai no trabalho e ambos nos mostram um ótimo desempenho juntos. Veja bem: juntos. Após a afetuosa cena da dupla fraternal, o filho do ceifador tem o seu primeiro dia de trabalho sozinho. O pai está velho, e o rapaz está sendo preparado para, tão logo, assumir os negócios da família.


Ah, observação: uma ressalva a ser feita se dá pelo fato de que o papel da Morte não se dá em matar arbitrariamente, mas, sim, com apenas um toque no ombro do quase moribundo, decretar o último suspiro daquele que já está à porta da morte. Literalmente,
at death's door.

E era apenas isso que o filho do ceifador tinha que fazer  ir ao local onde se encontra a vítima e, mais pomposamente falando, cortar o fio que a liga ao mundo dos vivos. Acontece que o filho da Morte é um jovem rapaz doce demais para isso. Quando esteve ao lado do pai, conseguiu executar o trabalho sem pestanejos; mas, ao estar sozinho, não teve coragem de decretar o último suspiro da pessoa que já se encontrava à porta da morte. Em outras palavras: salvou a vida que deveria ceifar.

Em teoria e em prática, os seres humanos, meros mortais, não são capazes de enxergar os ceifadores; mas, para o azar do jovem aprendiz, inexplicavelmente um rapaz chamado Tom (interpretado por Keith McErlean) foi capaz de lhe ver, sendo o responsável por convencer o filho da Morte a deixar aquela pessoa viva. E como é de se esperar, ao chegar em casa, o filho ouve poucas e boas do pai. O ceifador patriarca não poupa palavras e repreensões ao filho, ao que a mãe escuta em silêncio o conflito familiar. O jovem decepcionou a família, quebrando todas as expectativas que os pais tinham em si, e estes estão claramente desapontados; e o patriarca, especialmente, irritado. Então, o pai decreta: no dia seguinte, ou o filho mata alguém ou simplesmente não volta para casa.

Simples, não? A não ser que você seja afável demais para ser o filho da Morte.



Mas, se o jovem foi ou não capaz de orgulhar a família, isto não direi  escrever algo sem dar spoiler é quase como transcender, wow.

Em At Death’s Door, Cillian não tem falas, seu personagem é embalado pelo silêncio e pela sua expressão corporal, e bastou isso para entregar um personagem realmente expressivo, cujos sentimentos estão claros ao telespectador. As expressões faciais do filho da Morte superam qualquer lista de falas que ele poderia ter. Como dito anteriormente, a grande estreia de Cillian no cinema foi em 2001, então, bem, podemos dizer que, neste curta-metragem de 1999, estávamos conhecendo um jovem irlandês relativamente desconhecido, mas com um talento que certamente não foi desperdiçado.

Como dito anteriormente, o curta está disponível no YouTube. Não há legendas em português (porém, há em inglês), mas, como mencionado, o personagem de Cillian não tem falas; mas o pai e o rapaz que podia lhe ver, sim, e, bem, eles falam demais. Como é de esperar, recomendo. É rápido, leve, engraçado e vale a pena, é gostoso de se assistir. 

Quem sabe eu tenha sorte com a internet e consiga assistir Disco Pigs... Algum dia, pelo menos. No mais, agradeço muitíssimo a você que leu até aqui. Hidrate-se e fique bem. Até!

Observação pt.2: feliz aniversário, Cillian! 


quarta-feira, 11 de maio de 2022

Red Eye (2005) — (uma quase) maratona Cillian Murphy

 

Red Eye (2005)
Escrito por Carl Ellsworth e dirigido por Wes Craven

Como de praxe: isto não é uma resenha — nem pense em procurar por estrutura semelhante. É apenas um post provavelmente pequeno e direto em que expressarei minha opinião sobre o filme Red Eye, o segundo de 2022 da minha “maratona Cillian Murphy”.

No post sobre Red Lights, expliquei brevemente que, ao começar a assistir o filme, estava à espera do "cair das máscaras" quanto ao personagem Tom Buckley. Algo que não aconteceu, já que eu havia confundido Red Lights com Red Eye e até o final me esqueci completamente disso, descobrindo depois, ao confirmar os nomes das obras nas quais houve participação do Cillian. Pois bem. Cá estamos. 

Gostaria de fazer logo inicialmente uma menção honrosa ao trailer, pois, sinceramente, é um dos melhores trailers que já foram feitos na história do cinema. De 5 estrelas, dou 6. Vale a pena dar uma conferida através do YouTube.

Cillian interpreta Jackson Rippner, um carismático, relativamente misterioso e — propositalmente — charmoso passageiro de um aleatório voo noturno com destino a Miami. Quanto à sua apresentação, não há muito o que falar... Seu trabalho é algo constante na sua vida, o que lhe faz atender algumas chamadas telefônicas frequentemente; aparenta possuir um senso de justiça e não é muito fã de apelidos, visto que o primeiro que vem à cabeça das pessoas é Jack, e seu sobrenome, como já mencionado, é Rippner. Jack Rippner. Para ele, e também para as pessoas quando pronunciam e após alguns instantes se dão conta, soa muito como Jack the Ripper. Quando a adorável Lisa Reisert, interpretada por Rachel McAdams, deu-se conta disso, o máximo que lhe veio à cabeça foi uma risada sincera e desconcertante, afinal, bua, a mocinha já estava bobinha pelo tão charmoso e polidamente educado e gentil Jackson. 

Ah, Lisa Reisert, claro; falemos sobre esta importante figura. Logo no início do filme, somos introduzidos a esta moça, uma gerente de hotel abarrotada de trabalho, ainda mais por estar pegando um voo planejado de última hora. Lisa não tinha em mente deixar a gerência do hotel com sua colega de trabalho (uma jovem que não consegue dar um passo sem telefonar para Lisa, solicitando orientações desta), mas o falecimento de sua avó não lhe deixou opções; estava no Texas e, agora, precisava retornar a Miami, "obrigando-a" a ter de embarcar no voo noturno ao seu destino de volta para casa. Lisa detesta aviões, possui um medo praticamente palpável quando se trata de viajar nas alturas; nem sequer imaginava que seu medo iria ganhar um adicional logo mais à frente. 

Ainda na fila para o check-in, Lisa conhece Jackson como um homem com um grande senso de justiça, afinal, ele se pronuncia para defender um funcionário do aeroporto da falta de polidez de um passageiro impaciente e estressado, desses que necessita tratar funcionário como um ser inferior. Na primeira tacada, Jackson já faz seu primeiro ponto — afinal, cada uma de suas atitudes é minuciosamente planejada para atrair a atenção positiva de Lisa. Ainda na fila, Jackson convida, de maneira descontraída e com um ar de "o máximo que ela pode fazer é dizer não", a adorável Lisa para se sentar e conversar, verdade seja dita. No final das contas, após o check-in, Lisa avista Jackson a esperando no local sugerido e vai ao seu encontro, onde finalmente se apresentam um ao outro e descobrimos que Jackson não gosta de apelidos; apesar de ter se demonstrado um tanto bobo ao ver Lisa pronunciar seu nome e sobrenome e descobrir, por si própria, o motivo. A conversa não dura muito, já que Jackson, sempre ocupado com o trabalho, precisa atender uma chamada telefônica. Aparentemente, era um adeus; afinal, qual a probabilidade de ambos se encontrarem de novo?

Mínima. 

E para completar o conto de fadas que Lisa estava vivendo naquele aeroporto, é quando entra no avião e procura pelo número de seu assento que descobre que a pessoa que ocupa o assento exatamente ao seu lado é simplesmente Jackson. Ambos ficam desacreditados com tamanha coincidência, Jackson até mesmo confere o número impresso no bilhete de embarque de Lisa apenas para ter certeza de que aquilo estava acontecendo. Coisa do destino, né? Certamente, foram feitos um para o outro e esses encontros e desencontros não podem ser à toa — certamente são os pensamentos que se passam pela mente momentaneamente conturbada de Lisa. Aquela chance não pode ser desperdiçada e tudo se torna se torna ainda mais nítido quando, no momento de decolagem, Jackson faz de tudo para distrair a jovem Reisert, que estava a um passo de entrar em uma crise de ansiedade com o movimento brusco do avião. Um amor de pessoa. Quando o avião se estabiliza, Lisa tem ainda mais certeza de que deve puxar assunto com o passageiro ao seu lado. Aliás, por que não perguntar mais sobre o trabalho de Jackson, que o faz ser uma pessoa tão ocupada? 

"No momento, meu trabalho é inteiramente sobre você". 

Poderia ser um grande flerte, apesar de soar estranho. Mas não é uma cantada: é apenas Jackson revelando friamente o motivo de tantas coincidências românticas; estava apenas fazendo o seu próprio trabalho. E, naquele momento, seu trabalho se concentrava na gerente do hotel onde está hospedado Charles Keefe (juntamente de sua esposa e filha), o secretário da Segurança Interna dos Estados Unidos aka o alvo que Jackson e seus companheiros de trabalho precisam eliminar. O plano se baseia em lançar um míssil em um determinado andar do hotel, mas, para que isso aconteça, é necessário que uma ordem superior do hotel mude Keefe e sua família para este determinado andar — e a única pessoa com autoridade para isso é simplesmente Lisa Reisert, com apenas uma chamada telefônica para sua colega de trabalho, a pouco prestativa e ainda menos independente Cynthia. 

E vamos àquela clássica frase: e se eu me recusar? 

Vamos lá, Jackson Rippner não é um despreparado. Se Lisa se recusar a realizar a chamada telefônica ao hotel e ordenar a mudança de andar direcionada à família Keefe, Jackson garante que o amado pai de Lisa, Joe, que vive sozinho, será assassinado. E para que a jovem não pense que se trata de um blefe, Jackson retira do próprio bolso a carteira do pai da moça, provando a esta que esteve no mesmo dia na casa do velho Joe. 

A clássica história romântica descontraída se torna um pesadelo, e é nisso que Red Eye embala seus próximos minutos de duração. Impecavelmente eletrizante do começo ao fim, afirmo tranquilamente que, okay, Cillian é um ator que consegue interpretar até uma árvore e fazê-la protagonista de maneira impecável, mas, santo deus, Cillian Murphy interpretando o vilão da história é um patrimônio mundial — Dr. Jonathan Crane em Batman Begins que o diga. Jackson Rippner é um dos meus personagens e vilões preferidos do cinema e nada pode mudar minha mente, mas, claro, seria realmente interessante se Red Eye proporcionasse mais detalhes sobre a vida do personagem. 

Um fun fact que, tendo em vista o poço de urânio que é a internet, não é tão fun fact assim, é que há quem seriamente "shippe" Lisa e Jackson. Algo como: e daí que ele é um terrorista e assassino? Eles têm química!

Tal qual a química presente em Chernobyl.

Ontem, assisti The Water (2009), um curta-metragem canadense de aproximadamente 20 minutos que conta com as atuações de Cillian, David Fox e Leslie Feist. Está disponível no youtube com uma péssima  (terrivelmente péssima) qualidade, mas tão ruim mesmo que preciso assistir de novo, porque, santo deus, parece que foi filmado com uma tekpix. De qualquer maneira, tenho em mente que a próxima resenha que publicarei será sobre Disco Pigs, um filme irlandês de 2001 que foi a grande estreia de Cillian como ator. Ou seja... Nos vemos novamente daqui 4 meses? Algo assim. 

Retomando e finalizando: recomendo Red Eye, obviamente. Lembro que assisti quando era criança, provavelmente em um canal aleatório da TV por assinatura ou em algum corujão ou simplesmente filme noturno da TV aberta, e no dia seguinte fui no Yahoo descrevendo uma cena específica (que não mencionarei, pois é um spoiler) e perguntando o nome do filme, pois não tinha assistido tudo. Um herói aleatório me respondeu. Obrigada, carinha do Yahoo!

No mais, agradeço muitíssimo a você que leu até aqui. Hidrate-se e fique bem. Até!

"one single phone call saves your dad's life"



Exibição vulgar de poder

Três vezes na vida, abri o livro "O Exorcista". A primeira vez foi há mais de 10 anos, quando peguei o livro físico emprestado da ...